Agora ouvi o senhor Manuel Alegre dizer que o nosso bem amado camarada Álvaro Cunhal tomou desde cedo e desde sempre as rédeas do partido dos trabalhadores, os mais desfavorecidos, os mais fracos. Permitem-me corrigir um pequeno ponto: são sem qualquer dúvida os mais desfavorecidos mas não são nem nunca serão os mais fracos.
Os trabalhadores são a maioria do povo. Numa sociedade, especialmente numa sociedade democrática, o povo é quem tem o poder. Os trabalhadores são, sem qualquer sombra de dúvida o poder máximo das sociedades ocidentais. Se em alguns países isso foi já compreendido e interiorizado pelas classes trabalhadoras, em Portugal a apatia reina em favor de uma classe política que insiste em fazer do seu trabalho uma carreira de sucesso individual e não, como nos fundamentos da sua criação, um trabalho de missionário em nome e em favor do povo e do país. É preciso levar, contra a vontade patronal, económica e política, a consciência de que a força está no "zé povinho" até às mentes de massas e às mentes individuais de cada um de nós. Em Portugal vivemos com a clara consciência de que o 25 de Abril está feito, foi feito, aconteceu. Não é verdade! O 25 de Abril é todos os dias, é uma luta eterna, é o poder, que tão bem mostrou, que o povo e o trabalhador tem.
Enquanto a apatia, não imposta mas sim importada do antigo regime pelos novos senhores do reino lusitano, imperar e ditar a lei no nosso já frágil país, o trabalhador continuará privado dos seus direitos e desconhecedor dos seus deveres. Portugal caminha no trilho da condenação, de uma condenação ao desaparecimento que não terá qualquer reversabilidade enquanto não nos unirmos e não compreendermos a urgência da mudança e a magnitude da voz e do movimento do povo pelos seus direitos inconstestáveis.
A cada dia mais tiram ao Zé, mais se dá ao patrão, menos se exige e espera da classe governativa. Não podemos continuar a ser o povo pequenino, o povo da pequenez, o povo venerador do diminuitivo porque este se assemelha a nós próprios e à nossa visão do mundo e da vida.
Portanto senhor Manuel Alegre, deixe-se de demagogias eternizantes do actual sistema democratico-fascista e pronuncie, como se pronuncia em bom português, que os trabalhadores são realmente os mais desfavorecidos mas estão longe de ser os mais fracos. Esta mensagem foi expressa em vida pelo camarada Álvaro Cunhal, não a detorpam no primeiro dia do adeus ao corpo de um dos mais importantes homens na História de Portugal. Tenha respeito pelo camarada e, principalmente tenha respeito pelo povo que você diz representar.
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