As lutas de gladiadores já fizeram parte das manifestações culturais. Os sacrifícios humanos também. A pedofilia já foi um comportamento cultural, sendo a sociedade com comportamentos pedófilos mais conhecida a Grécia Antiga. Frequentemente ouvimos as pessoas defenderem as touradas com o argumento da questão cultural, assim como a pesca à baleia, as lutas de cães com ursos no Médio Oriente e Ásia Central, o apedrejamento como sentença penal em muitos países africanos ou ainda a pena de morte. Queimar pessoas na fogueira ou enforcá-las já foi na Europa uma prática social e penal como reflexo da cultura medieval. A cultura manifesta-se nas acções diárias, sociais, económicas e administrativas. Mas a cultura é fruto de mudanças. Hoje muitos dos exemplos enunciados acima estão desaparecidos ou são repudiados pela sociedade. Isto ocorre porque o pensamento e o conhecimento social muda. Ou seja, a cultura mudou.
Na Alemanha nazi a cultura mudou. Uma nação alterou o seu pensamento social gerando uma cultura anti-semita. Um exemplo de alteração cultural negativa. O facto de ter sido por um período de tempo, em termos históricos, muito curto, não invalida a alteração cultural e o impacto desta alteração, neste caso concreto, no mundo.
Os idiomas mudam, os sistemas penais mudam, as formas de governo mudam, tudo muda ou pode mudar. A cultura não pressupõe a imutabilidade das coisas e não deve nunca ser uma desculpa para manter determinados comportamentos e determinadas tradições. A questão cultural deve ser usada exactamente no sentido inverso, demonstrando que tudo pode mudar, para melhor ou para pior, ou apenas para diferente. Mas tudo pode mudar, tudo evoluí e a prova disso mesmo é a Cultura.
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