domingo, setembro 05, 2010

Biodiversidade

Acerca das novas concepções sobre a protecção da biodiversidade, encontra-se neste momento em marcha a definição de valores monetários para todo o tipo de biodiversidade (habitats, espécies, recursos naturais). Defendido através da premissa do "poluidor-pagador" este mecanismo abre portas a um comportamento perverso que classificará os ecossistemas de acordo com um valor económico e poderemos entrar num mundo onde a protecção ambiental se cifrará em vez de se incluir numa ética de vida. Uma sociedade desprovida de princípios éticos e morais é aquela que se encontra já ali, a um pequeno passo, a uma ou duas decisões de distância. Este método, embora baseado numa ideia nobre é apenas mais um passo para o abismo moral que enfrentaremos num futuro próximo.

A biodiversidade incluí, porque muitos se esquecem, o Homem. Somos parte integrante da biodiversidade do planeta Terra, evoluímos aqui e somos um ser tão natural como qualquer outro. Colocar um preço na biodiversidade significa uma de duas coisas: que mantemos a nossa visão antropocêntrica e, tal como há 500 anos atrás, nos recusamos a evoluir de acordo com novas concepções (do geocentrismo ao heliocentrismo foram muitas fogueiras) como o biocentrismo; ou que aceitamos colocar um preço em nós próprios também. Como a espécie humana já tem preço, tão bem demonstrado ao longo da história e tão bem vincado hoje em dia com guerras pelo petróleo, oleodutos e pequenas esferas de poder, parece-me lógico que toda a biodiversidade possa ser classificada monetariamente. Resta-nos a esperança de que a 1ª hipótese não vingue e a sociedade evolua para um pensamento sustentável que com o tempo retirará o valor económico ao direito à vida.

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