terça-feira, setembro 13, 2011

Coisas da vida

Nisto do compromisso existem demasiadas verdades, variadíssimas versões, demasiadas formas distintas de viver o amor. Os impulsivos que arriscam tudo numa paixão ou os sonhadores que vivem a relação da forma mais intensa. Os terra-a-terra, comedidos e dados apenas ao que é estável. Os desligados que nunca se prendem, nunca se comprometem. Os...os...tretas. O amor apenas se vive de uma maneira. Não existem várias maneiras de viver uma paixão. A paixão vive-se impulsivamente, arriscando, vivendo cada momento como se da a primeira inspiração da vida se tratasse. O amor vive-se. Não se adia, não se esconde, não se deixa para amanhã. Mas a verdade é que existem demasiadas verdades, não no amor, mas num compromisso. Cada um é dono da sua verdade e a diferença entre um compromisso de sucesso e um compromisso condenado é a luta pela convergência das verdades, é a procura do comum entre as versões, entre os sentimentos. É a compreensão. Esse é o desafio do compromisso.
Outro dia alguém me dizia que tinha de ser objectiva na vida, usar a cabeça e não o coração. É uma forma de estar tão antiga quanto o próprio amor, escolhida pelos sofredores, pelos danificados, pelos corrompidos. A escolha daqueles que vivem o medo do fracasso em vez do sonho do sucesso. É verdade que em alguns momentos da vida temos de caminhar por esse trilho inóspito e estéril. Não para ser felizes mas para nos reencontrarmos. Qualquer criança de 6 anos sabe que o caminho da mente é o caminho seguro da sobrevivência e que só com o coração encontramos o caminho da vida. Mas é claro que momentaneamente esse caminho de paisagem lunar é necessário. Mas é necessário ter algum cuidado pois podemos encontrar-nos um dia presos nas miragens desse deserto, incapazes de as distinguir das verdadeiras vivências e acordar um dia num mar de vazio, num mundo oco, longínquo, perdido e esquecido. E no tempo em que andámos a alimentar a nossa alma de miragens inanes abraçámos a solidão, rodeamo-nos dela, sem intenção nem percepção, afastando todos aqueles que não podiam fazer parte do caminho da razão.
Razão. Fundamental ao nosso bem estar. No entanto muito perigosa quando vivemos apenas dela. Muito mais do que quando vivemos apenas do coração. A razão, isolada, é um cinto de castidade imposto por um a si mesmo. A razão estrangula a emoção, reprime a liberdade, inibe a espontaneidade. A razão por si só apraza a vida, aniquila-a. Viver da razão é o suicídio mais lento possível.
Um ensinamento nunca esquecerei: vive a vida com uma mão na razão e outra no coração.

2 comentários:

Sandra Dias disse...

Love it!!!! :)
De vez em quando tens uns lampejos de génio que me relembram porque é que somos amigos... ;)

Micas disse...

tu até escreves umas coisas bonitas quando te dá para isso.bem haja meu caramelo!