segunda-feira, janeiro 24, 2011

O sistema distorcido

O tempo passa e o país piora. Ano após ano o tempo perdido aumenta. E discutimos com quem? Revoltamo-nos com quem? Na Segurança Social, além de nos irem buscar até as moedas do porquinho que tínhamos lá em casa, ainda nos dizem de papo cheio que é preciso entregar o papel de cessação de actividade nas Finanças pois caso contrário estaremos sempre como devedores à Segurança Social. Eu pergunto, mas as Finanças e a Segurança Social não comunicam? Onde tenho eu de cessar actividade? Finanças. Agora também tenho de ir à Segurança Social. Se calhar daqui a uns tempos teremos de ir ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e mais 4 ou 5 anos e teremos de enviar um despacho ao próprio ministro a informar que cessámos a actividade nas Finanças! A distorção do que é um sistema governativo vive o seu apogeu, sendo alimentada por senhores como os que ontem se viram vencidos e vencedor nas eleições presidenciais, sem escapar o designado candidato de esquerda, Manuel Alegre (ver Pequeno Grande Erro - 15/06/2005, neste blogue).

Ao contrário do que estamos habituados a acreditar, inversamente ao conceito que nos incutem desde tenra idade, o sistema governativo, seja ele qual for, está ao serviço do povo. Não é o povo que está ao serviço do sistema! Uma aprendizagem que duvido que algum dia seja interiorizada. Independentemente do sistema governativo ser eleito, herdado ou imposto pela força, ele está sempre ao serviço do povo, nunca ao revés. Claro que no caso da imposição de um sistema tirano ou fascista este serviço está mascarado, deturpado. Mas o conceito de governo é o de um sistema ao serviço do povo, para e pelo povo. O que se assiste hoje globalmente, mas não totalmente, é à manipulação desta ideia altruísta, usando e criando governos no conceito de administração de empresa, deixando ao povo o papel de empregado, trabalhador, servente. Vivemos o tempo do povo escravo e súbdito de uma sociedade corrupta e oportunista que alimenta esta concepção com a ilusão da liberdade. O governo é, ou deveria ser, uma entidade reguladora que visa a prestação dos serviços essenciais ao povo. Em vez disso comporta-se como o quadro administrativo/accionista de uma empresa, tratando dos seus interesses, negligenciando os interesses dos seus trabalhadores. No fundo tem o espírito empresarial mas de uma empresa condenada ao insucesso. Em Portugal esta distorção corrupta e miserável é levada ao extremo em termos do panorama Europeu. Costuma dizer-se que se existirem 2 homens no mundo um tentará roubar o outro. Cada vez mais me convenço que deveríamos substituir homens por portugueses. Sem dúvida estamos no top 3 olímpico do oportunismo e da manipulação. Mas não é de agora. É uma história cultural, de muitos séculos já. Afinal a génese de Portugal encontra-se nas cortes de Lamego, que nunca aconteceram. As primeiras cortes no território nacional foram realizadas mais de um século depois da independência. Mas era preciso levar ao Papa as cortes. E nós arranjámos maneira de o fazer, mesmo tendo elas nunca existido. Em Moçambique diz-se que o mundo não é o que existe mas o que acontece. Pois terá este dito africano alguma influência da passagem de Portugal por essas terras?