No canal TVI24, no programa
Observatório do Mundo, passou no passado dia 26 de Janeiro um episódio intitulado
"Clima de Dúvidas". Infelizmente é mais um mini documentário, ou
aparente reportagem, fortemente parcial e que não traz nada de novo ao debate
na opinião pública sobre as actuais publicações relativas às alterações
climáticas.
A reportagem está repleta de
ideias distorcidas, de conotações difamatórias e centra-se apenas nos chamados
cépticos. E quem são eles? Bom, aqueles que se auto proclamam de cépticos são
na realidade um pequeno grupo de fundamentalistas que refuta, sobre qualquer
pretexto ou argumento, o aquecimento global. Ao longo do programa é transmitida
a ideia de que quem não suporta a tese do aquecimento global antropogénico são
indivíduos caracterizados por ideologias de direita, neoliberais, financiados
por quem defende o mercado livre e a limitação governamental. A reportagem, que
não se deveria referir no título a clima mas sim a fundamentalismo, retrata
este pequeno grupo como representando qualquer pessoa que não seja pró
aquecimento global antropogénico. Mas será?
Mais ainda, neste pedaço de mau
jornalismo, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas) é
tido como o centro da grande ciência, uma instituição induvidável. Repetidamente referem que 98% dos cientistas
afirma que o aquecimento global antropogénico é inegável e que está totalmente
provado e demonstrado, chamando-lhe o consenso científico. Qual consenso? Quais
98%?
Realmente os chamados cépticos
são fundamentalistas. Da mesma forma que os defensores acérrimos do aquecimento
global antropogénico também o são (pena que não exista nenhum nome para estes.
Talvez warmies não fosse má ideia). A questão é que os cépticos são um pequeno
grupo, que conseguiu intrometer-se no seio das decisões políticas, e cujo o
suporte científico é muitas vezes fraco. Mas a razão pela qual este movimento
foi possível é porque do outro lado do campo de batalha a ciência também é
muitas vezes fraca, sendo enviada para a opinião pública pelo famoso IPCC, um
órgão político e não científico da ONU.
Chamei-lhe campo de batalha
porque o tema do clima encontra-se de tal modo politizado que se tornou numa
luta política cada vez mais distante da ciência. O consenso dos 98% é um
absurdo. Esse consenso não existe, é apenas fruto de propaganda do IPCC. Para
se compreender melhor como funciona esse organismo recomendo um documentário,
de excelente qualidade, embora focado no lado da batalha dos que não suportam
as ideias catastróficas do IPCC. No entanto centra-se em ciência, a verdadeira
ciência, e não em jogos políticos. Chama-se The Great Global Warming Swindle e
está disponível online.
Quem me conhece sabe que
investigo evolução climática. Não o presente clima, mas os últimos 65 milhões
de anos. No entanto para o fazer tenho de ler muito sobre clima, presente e
passado. O consenso científico sobre aquecimento global é uma realidade. A
Terra aqueceu no último século. O consenso sobre a origem humana nesse
aquecimento já não é uma realidade. Consenso sobre um futuro com um aquecimento
global na ordem os 2 a 6°C...menos ainda. Isto não significa que tal não possa
vir a verificar-se. A questão é que não existem dados suficientes para passar
da pergunta à afirmação. Como disse Mark Johnson, meteorologista, "estão a
dizer-me que vão prever alterações climáticas com base em 100 anos de dados
para uma rocha que tem 6 mil milhões de anos?". O máximo do Holocénico, o
Período Quente Medieval e a Pequena Idade do Gelo são períodos curtos (poucos
séculos, pouco mais de 2 nos últimos dois enunciados) de variação da
temperatura média global em mais de 1°C. Os ciclos de oscilação são parte do
clima. Mais ainda, o clima não é, nem nunca foi, e esperemos que nunca venha a
ser, estável. O clima é brutalmente dinâmico, instável e o sistema mais
complexo que conhecemos até hoje. E já agora, estamos na 3ª Idade Glaciar da
história da Terra, cada uma durando tipicamente 10 milhões de anos. A Terra tem
temperaturas médias globais geralmente superiores às actuais, com ausência de
gelos nos polos. De que alterações climáticas catastróficas estamos a falar? Um
dos alertas que sistematicamente é dado nos media e nos porta-vozes do IPCC é
que o aquecimento global trará mais tempestades. Isto é uma falácia que apenas
quem não tem formação nenhuma aceita como certo. O aumento da temperatura média
global levaria a uma redução do gradiente térmico entre os polos e o equador.
Reduções deste gradiente reduzem a formação de tempestades, tufões e furacões,
ao invés de aumentar. Isto ocorre porque é necessário o choque de massas de ar
frias com quentes para gerar a formação de tempestades.
E já agora, eu estou longe de
assumir como indiscutível que o aquecimento global é antropogénico. Penso que
temos muito ainda para discutir, estudar e conhecer. Mas estou ainda mais longe
de ser um céptico. O grupo retratado nesta fraca reportagem não deve ser visto
como símbolo de todos os que discutem a versão do IPCC.