O crescimento da direita no seio do continente europeu já é esperado. A última década deu até muitos sinais disso mesmo. Uns de alarme (Le Pen) outros mais sérios como Áustria ou Itália. Mas o que assistimos hoje é talvez o acto mais perverso jamais cometido pela União Europeia. A monstruosidade é tal que até o Vaticano se pronuncia revoltado com os actos e chama à acção do governo francês de novo holocausto. Afinal de contas o que aconteceu à livre circulação nos estados membros? O que é feito do espaço Schengen?
Os ciganos, de origem búlgara e romena, estão a ser expulsos de França. Ordens de Sarkozy. Que o seu mandato tem um recheio de polémicas que transborda mais que o creme de uma bola de Berlim já todos sabíamos. Mas este acto ultrapassa o polémico. Promete dar que falar. Promete criar uma ruptura na sociedade francesa. Afinal é neste país que a consciência social e política mais se manifestou e se manifesta no povo. Mas afinal o que motiva esta atrocidade social e racial? O medo e o sentimento xenófobo que todos os povos partilham no que respeita aos ciganos.
A Roménia e a Bulgária integraram a União Europeia a 1 de Janeiro de 2007 e pertencem ao espaço Schengen desde a mesma data. Como pode o governo “Sarkoziano” justificar estes actos? Legalmente, de nenhuma maneira. Mas e moralmente? Para nós, aqueles que se revoltam contra os actos de desrespeito pela vida e pela dignidade da vida, a imoralidade deste acto é inegável e injustificável. No entanto o silêncio da União Europeia transmite uma certa impunidade à crueldade francesa.
Desde a 2ª Guerra Mundial que não se via uma perseguição étnica tão grave nos países então aliados. Desde a guerra da Jugoslávia e da guerra do Kosovo que não assistíamos na Europa à perseguição de uma etnia. Onde menos se esperava, quando menos se esperava, começa uma nova caça às bruxas. Poucos se pronunciam. O Vaticano, contra o esperado, foi o primeiro a vir para a linha da frente ao chamar de novo holocausto ao horror da medida francesa. Para quando a intervenção da União Europeia? Para quando a voz de outros países? Tenho vergonha, como cidadão português, de ainda não ter ouvido nada do meu governo a repudiar a política extremista e quase hitleriana deste pequenino líder do “L’Hexagone”.
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