sexta-feira, novembro 25, 2011

Que caminho Europa?


O país discute o desemprego. O país discute os salários. Os país discute a austeridade. Os jornais apoiam, fomentam, instruem. O povo engole e segue nos carris. Distraído e absorvido na estupidificação das massas, entorpecido pelas preocupações que tudo isto trás à sua vida imediata. Os governos promovem as discussões e indicam o caminho. E no meio dos entreténs, o verdadeiro plano vai sendo executado. A construção de uma Europa Federal.
O sonho é antigo. Já várias tentativas foram sendo feitas ao longo da história. Tanto a Alemanha como a França tiveram os seus momentos. Napoleão primeiro, Hitler o último. Mas o sonho do domínio europeu não morreu. E não se pense que isto é fantasia do passado. Os impérios mudaram de contexto, mas ainda são o objectivo final de quem quer e pode exercer o poder. Merkel até já se descaiu algumas vezes. Não foi há muito que sugeriu a perda de soberania para os estados que não cumprissem os objectivos do défice. Mas cheira-me que Sarkozy lhe sussurrou ao ouvido, "cuidado, Assim apanham-nos".
Vamos começar pelo início. O ataque ao euro. Feroz, eficaz e fácil. Mas porquê fácil? Porque raio a Europa não protegeu o euro? Ficaram ali, impávidos e serenos, assistindo ao massacre da moeda única. Mas a verdade é que não podiam fazer outra coisa. Não porque estivessem com as mãos atadas. Nada disso. Se a Europa defende-se o euro, todo o plano iria por água abaixo. Sem crise socioeconómica não há reestruturação. Sem o colapso das economias não é possível criar o federalismo europeu. Antes os impérios construíam-se pela força, pela conquista militar do território. Hoje é um pouco diferente. Um pouco. Não muito.
Portanto a crise já está instalada. Todos falam nela. Todos a aceitam como algo real, inevitável, que está aqui agora. O poder da enunciação, que gerou a crise, trata agora de a consolidar. Agora estamos na fase dois. Agravar a crise. É fundamental o colapso total de, pelo menos, algumas economias europeias. As bolsas caem, os ratings são constantemente avaliados em baixa. A Grécia foi primeiro a virar lixo. Agora Portugal. Seguir-se-á a Irlanda, Espanha e, talvez, a Itália. Caos económico, instabilidade social. O cenário para a constituição federal começa a ficar montado. Mas aqui é quando as coisas ficam complicadas de prever. A realidade não é um sistema simples. É antes um sistema complexo, com muitas variáveis e, acima de tudo, com vários caminhos para atingir o mesmo fim.
É verdade que, por um lado, convém mais aos países economicamente fortes da UE que as economias periféricas saiam do euro. Assim podem ter crescimento económico e importar os produtos alemães, dinamarqueses, suecos, franceses, etc. Por outro lado a saída do euro garante a soberania dos estados, fragilizando o federalismo europeu. A questão é extremamente complexa, e está aqui muito simplificada. A juntar a isto, a tensões globais aumentam e o cenário de uma guerra, talvez mundial, começa a ganhar alguns contornos, ou pelo menos, tem de ser equacionado. No Irão, as manifestações violentas contra edifícios britânicos adensam-se. A Síria é pressionada por meio mundo. No Paquistão há raides da NATO. A contestação social na Europa e nos EUA aumenta. O sector militar das economias periféricas europeias está cada vez mais frágil.
Nos últimos anos o investimento militar aumentou a nível global. O relatório SIPRI indica um recuo no crescimento do investimento, ou seja, continua a crescer mas mais devagar, desde 2010. E isto deve-se principalmente às economias depenadas da Europa. Não se leia França, Alemanha, Inglaterra. Nada disso. A França, pelo menos até 2010, não reduziu em nada o seu orçamento militar. A Inglaterra inicia em 2012 um investimento de 1 bilião de libras em veículos militares. Tanto a União Europeia como o FMI não exigem cortes no orçamento militar, como parte do plano de austeridade. Isto é, cortes de despesa com pessoal e edifícios das forças armadas sim. Mas não nas encomendas de material bélico. A Alemanha e a França terão exigido à Grécia que continuasse os gastos militares com material produzido por estas duas nações. As notícias actuais sobre o orçamento militar alemão são em tudo contrárias à ideia que fica subjacente neste texto. A Alemanha está a fazer um corte neste sector. Mas se procurarmos mais a fundo na informação disponível, conseguimos encontrar dados interessantes, como a entrega de material bélico a partir de 2012, encomendado anos antes, e como tal fora deste orçamento.
Mas não é de todo fácil conseguir descortinar um cenário de guerra europeu. É bem verdade que o actual contexto socioeconómico da Europa é semelhante ao dos anos 30, que antecedeu a 2ª Guerra Mundial. Tem também contornos similares aos do final do século XIX e princípio do século XX, que culminou na 1ª Guerra Mundial. No entanto, a realidade dos dias de hoje torna esta avaliação mais complexa. Se por um lado é bem verdade que uma transformação da Europa numa Europa Federal requer, avaliando os padrões históricos, a implementação de uma guerra. Por outro parece difícil entender qual o propósito de tal evento. Talvez seja possível fazer a transição, sem guerra, limitando-se a controlar sectores estratégicos do poder. Acabamos de assistir a dois momentos únicos na história recente. Dois golpes de estado na Europa que, não só passaram silenciosamente no escrutínio da comunicação social, como também no político e social. Tanto em Itália como na Grécia, a substituição dos governos, é um autêntico golpe de estado. Não foram eleitos. Não se apresentaram ao povo. São tecnocratas colocados na chefia do destes dois países para executar o plano primário. Mas quem são eles? Mario Monti, ligado à Goldman Sachs, assim como Mario Draghi recentemente eleito presidente do Banco Central Europeu. Lucas Papademos, antigo governador do Banco da Grécia durante a falsificação da dívida grega pela Goldman Sachs. Todos são membros da Comissão Trilateral ou do clube de Bilderberg. Uma situação, no mínimo curiosa. Quem não está familiarizado com o Clube de Bilderberg, recomendo que se actualize.
Independentemente de todas estas questões, dúvidas, incógnitas, o federalismo é o objectivo. Foi ontem que Sarkozy e Merkel anunciaram um conjunto de medidas a apresentar na próxima reunião, dia 9 de dezembro. Deixaram apenas um cheiro do que aí vem. Medidas severas para quem não cumpra o défice. Quem sabe perda de soberania. Bem sei que já não temos muita, o orçamento de estado de Portugal teve de ser primeiro aprovado em Berlim, e só depois, discutido na AR. Mas ainda somos soberanos, ainda podemos decidir sair da UE ou ficar, investir na educação ou abandoná-la. Ainda somos donos do nosso futuro. Numa federação deixamos de ser. Passamos a estado, com alguma autonomia administrativa, autonomia essa que ficará definida na constituição federal. É importante frisar um aspecto das constituições federais: é impossível, proibido, inconstitucional um estado membro da federação abandonar, sair, voltar a ser independente. Viveremos num cenário de centralização do poder, sujeitos às regras franco-alemãs, membros de um império bicéfalo, cuja grande cabeça é a Alemanha. A proposta conjunta de Alemanha e França visa rever os Tratados e criar uma “União de Estabilidade” em que, a promessa de mais solidariedade, será antecedida por regras muito mais duras de disciplina orçamental e pela transferência de novas parcelas de soberania, de modo a que instâncias europeias possam ter uma palavra decisiva na concepção dos Orçamentos nacionais. O nascimento do império do 4º Reich, talvez, mas este legítimo, este legal.
A instabilidade social vai aumentar nos próximos anos. Isso é ponto assente. Ao contrário do que nos vende o Passos, o fim da crise não é em 2012. Vai ser apenas um ano pior que este. E 2013 será pior que 2012. E 2014, talvez ainda pior. Não é por acaso que o Banco de Portugal, e não só, pede a extensão das medidas de austeridade até 2014. Se a intervenção militar estiver mesmo na ordem de acção, então basta promover as acções dos grupos de crime organizado junto das manifestações, das greves e dos protestos. Existem vários grupos deste tipo no mundo. Servem mesmo para isto. Aos mais cépticos, quero dizer que não, não é uma teoria da conspiração. Isto é feito há milhares de anos. Não é uma invenção do século XXI. Grupos cujo objectivo é gerar instabilidade e violência, controlados muitas vezes por governos, são usados desde sempre como meio de justificar intervenções militares, decisões económicas ou legislação austera. E a ideia que nos têm vendido, várias vezes na televisão, de que a UE é a garantia de paz na Europa, de que desde que existe UE não há guerra na Europa, é de uma demagogia assustadora. Só num mundo onde sabemos de antemão que o povo não vai questionar o que se diz no rectângulo colorido, se têm afirmações destas publicamente. Então a Jugoslávia? Checoslováquia? Bósnia? Sérvia? Ucrânia? Não são todas estas guerras pós-CEE e pós-UE?
Outra ideia que se vende sistematicamente nas televisões europeias é a de que sem euro estamos feitos. Será? Sem euro passaremos uns anos maus, sem dúvida. Mas estaremos realmente arrumados e mortos no mundo global? Será realmente o nosso fim? Enquanto a Europa está em recessão, que se agrava a cada revisão dos números, a Islândia cresce. Esse país pequenino que abriu bancarrota, a quem o mundo escreveu um belo obituário, afinal, precisamente por não ter euro, está a crescer. Mas a nós dizem que isto é impossível. Mais um momento de propaganda federalista.
Por fim vamos tentar perceber como funciona este mercado livre do crédito. Vejamos o caso de Itália. O BCE pondera emprestar dinheiro ao FMI para que este empreste a Itália. Já neste primeiro passo conseguimos perceber a perversão de todo o processo. Mas então e o que faz o FMI com o dinheiro que a Europa (todos os contribuintes europeus) lhe emprestou para que ele emprestasse a um país europeu? Pois bem, empresta aos bancos comerciais italianos. Estes últimos, por sua vez, emprestam ao governo italiano, sujeitando os contribuintes de Itália a pagar os juros daquele que já é o terceiro empréstimo do mesmo capital. Não é difícil perceber que algo aqui está muito errado.
Estamos ainda no início. A vida cómoda e estável a que andámos habituados está a começar o seu fim. E ainda falta muito. Isto é ainda o começo.

terça-feira, novembro 08, 2011

Em busca do sonho

Desligo a tv, estou a tentar dar sentido ao que acabei de ver. O mundo é assim tão diferente desta caixa a cores? Que dizer, os valores da televisão são apenas de mau gosto ou reflexo do que apreciamos?... claro que todos o dizemos: ”como é possível isto ou aquilo estar no ar?”, dizemo-lo...fica bem em certos meios sociais, eleva-nos...mas quem nunca ficou 5 minutos preso a um programa desprovido de sentido? Se o zapping que fiz reflecte o que apreciamos, lutar por um mundo melhor é um  sonho inglório  para personagens tristes e que há muito estão fora dos guiões de qualquer programa televisivo.
Comecei na 1: filme; 2: não me lembro; 3: filme; 4: Casa dos Segredos, a 2ª edição aparentemente. “Alto lá”, penso, “isto é aquilo que está na boca do mundo, inclusive pessoas próximas de mim admitem que o vêem”. A minha curiosidade sobre o que possivelmente pode prender alguém a este tipo de programa, permite ao meu superego não censurar a minha decisão.  De forma a tornar o meu comportamento mais aceitável decido por a máscara do avaliador comportamental: “o que levará pessoas educadas a ver este programa absurdo?” Isto é o que pretendo identificar! Em certos meios sociais poderei lançar uma teoria interessante. Começo a ver, aparece um tal Marco...o Marco é um tipo grande! Mudança de cena aparecem todos no ecrã. Alguém tenta adivinhar um segredo. Bem isto é a casa dos segredos, penso. Um indivíduo também ele com um aspecto rústico mas embalado urbanamente à pressão social, tenta adivinhar um segredo de outro concorrente: “Eu penso que o segredo da não sei quantas é: Eu já tive um caso com um jogador de futebol” Eh lá! Isto não é uma adivinha, isto é uma frase de catálogo! Onde já vi isto? Foi ao pé de Campolide num cartaz. Óptimo! Menos de dois minutos e já compreendi a dinâmica do jogo. A minha avaliação começa bem, continuo a sentir que o que estou a fazer é de alguma forma pertinente. Metade do dinheiro passou para outro concorrente...já soma 14 mil euros. “A dignidade anda a vender-se mais cara”- pensei. Começo a reparar que todos os concorrentes masculinos possuem uma massa muscular muito maior que a minha, e que apesar da maioria dos concorrentes aparentarem uma proveniência rural, todos têm traços agradáveis, algumas senhoras sem duvida podiam andar mais na linha mas julgo que não seriam tão carentes. Este dorme com esta, esta com aquela, estão em negociações...meu deus estamos perante crianças gigantes, seres cujo crescimento físico disse adeus ao desenvolvimento intelectual. Intrigas, sotaques, homens depilados, ofensas claras, machões, seios desproporcionais...já não consigo mudar de canal, tento mas não consigo. Hora das nomeações. Um génio interrompe para tentar adivinhar um segredo do catálogo. Quaaasee... ou não! Nomeados anunciados...o nível intelectual é banhado por emoções e subitamente estou novamente no primeiro ciclo e há algo de agradavelmente irresistível na genuinidade destes humanos que me está a prender à televisão. Tento ganhar consciência. O que se passa??? isto é a casa dos segredos!... 2!! Porque não consigo mudar de canal? A pergunta evapora-se porque tento acompanhar o que se passa. O Marco está a chorar!! Está a falar de amor e de sonhos: “Queres ter filhos? Tu sabes que eu até para o ano no máximo quero ser pai! Isso é um objectivo que tenho”. 7 biliões meu amigo! Fá-lo por amor não por objectivos. A casa dos segredos acaba e foi o que me salvou. Prossigo no meu zapping atordoado pelo que se passou... o mundo está perdido. Sic noticias, Miguel Relvas entrega prémio a Cristiano Ronaldo em hotel em Madrid, foi acompanhado por... mas senhor ministro não estamos em crise? Quantos subsídios estão incluídos na deslocação de todas essas figuras a Madrid? Ah, o senhor entregar a bota de ouro ao Cristiano é importante! ...? Mas porque? Ele não ia ganhar na mesma? Não ia aparecer na mesma na televisão? Estava lá o Eusébio... Portanto o senhor entregar esse prémio é de facto importante para quem? E  para quê? Cristiano exibe-se ao seu melhor nível: “Se nem Deus agradou a todos porque hei-de eu conseguir?” Mais uma mensagem de inspiração para os portugueses, principalmente para os mais jovens! “Cristiano, quem é melhor do mundo? O CR ou o Messi?”- pergunta o jornalista. Aparece a Irina, ia responder para mim próprio: ”Messi obviamente” mas agora já não sei. A vida continua, e o zapping também, tau tau tau, por ali fora, TvCine3: documentário no ar, é isto que eu preciso! Há gente séria ainda no mundo! O titulo é Inside Job, “Steve não sei quanto CEO da não sei quantas facturou 485 milhões de dólares”. “Isso é uma quantidade obscena de dinheiro para uma só pessoa” – penso. Quuaaaatro ceeennto e oiteeennta e cinco milhões de dólares? Há alguma possibilidade de esta pessoa considerar minimamente a hipótese de o trabalho que realiza, de facto valer, vá nem que seja, um décimo disso? Psicopata ou Sociopata que não se deixa apanhar! Estas pessoas têm problemas graves. Bem, talvez não essas mas todas aquelas que, por tipos destes, vivem com menos de um dólar por dia. Segue jogo e grava documentário! Continua o zapping. Segue-se o DR 9020 ou algo do género. Uma coisa de cirurgias plásticas... a sobremesa para finalizar este banquete televisivo. Prendeu a minha atenção. Está um médico de caneta em punho a fazer uns desenhos nuns seios que, apesar de bem granditos, estão algo descaídos. Estariam bem para mim e tenho a certeza que para muita muita gente, mas alguém tem ambições mais altas e para isso vai submeter-se a uma cirurgia que irá tornar o seu carácter muito mais... firme! O médico está estranhamente à vontade para mexer naqueles seios diante do namorado. Meu! Chapéu e essa pinta? Já foste! Deixa lá o makeover acabar e podes começar a tua contagem decrescente. Nunca tinha visto um mamilo a ser levantado como tampa, cirurgia minuciosa, estes tipos merecem o que ganham, são de facto habilidosos, tenho dificuldades em abrir latas de atum e o que vejo está a impressionar-me. A operação está concluída e a paciente acorda, bem jardada, quer uma Diet Pepsi, viva os Estados Unidos, viva o progresso, viva a energia bem gasta dos seres humanos pelo mundo fora...
O programa passa para o doutor em manga cava... espera lá o doutor está em sua casa?! Tem uma mulher bem bonita, será que a comprou em segunda mão e a retocou? Bem ela bonita está... mas espera lá, o doutor é homossexual. Nada contra, mas a mulher é de facto bonita. Ela não o percebe? Ele não tem vergonha de defraudar de forma óbvia a mulher diante do mundo? ... O mundo está perdido, para mim chega! desligo a televisão...fico a pensar: o que é que nos prende? O que é que de tão melhor têm estas aventuras em busca da perfeição do que a minha vida? Anda a nossa vida tão monótona e cinzenta que temos de viver estas ansiedades e inseguranças de outros. As gatas borralheiras e os Oliver Twists que aparecem nestes programas são genuínos, porque estão em busca dos sonhos deles, a todo o custo ou não, a colmatar inseguranças ou não, eles estão a arriscar e a sentirem que estão a viver... e nós? Estamos tão pobres na nossa inspiração que nos entretemos com um cinismo jocoso a assistir a este desfile de coragem ignorante? Sai barato e é muito seguro alienarmo-nos a viver as aventuras e os sonhos dos outros através desta puta desta caixa mágica. "Começo a partir a televisão ao pontapé, o primeiro passo começa sempre com alguma loucura!" – penso.

Por Rogério Queiroz

(Já podes dizer que tens algo publicado mano!!! Abraço! Gostei!)

sexta-feira, novembro 04, 2011

Coisas do mundo

A Grécia parece um centro de perdidos e achados. É que perdidos lá andam eles mas lá vão encontrando algumas saídas airosas, ao melhor estilo político do terceiro mundo europeu. Depois de um caminho percorrido a solo eis que surge a medida democrática do referendo. Caso para perguntar, agora? Terá sido uma piada no seio da tragédia grega? Ou estão à procura de escrever uma odisseia dos tempos modernos?
Falando em democracia. Parece que houve uma votação relativa à Palestina na UNESCO. Digo parece porque ouvi dizer que Portugal se absteve. Vou continuar a pensar que isso é um desses boatos mesquinhos que às vezes circulam por aí. Não acredito que fossemos capazes! Mas o melhor dos boatos é sobre os líderes da democracia e da liberdade, ou assim se autodenominam eles. Dizem as más línguas que os EUA votaram contra e que, como não se fez a sua vontade, retaliaram retirando o seu financiamento à UNESCO (1/5 do orçamento ao que parece). Isto cheira-me a propaganda russa, só pode. É verdade, e que é feito dos russos? Têm andado muito calados. Deve ser para ninguém perceber que o conceito da União Soviética está a renascer, ou não fosse a livre circulação entre Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão uma nova realidade.
Mas por cá também vamos fazendo as nossas jogadas tipo Casa dos Segredos. O Duarte Lima está lá escondidinho na sua modesta e humilde casa, na esperança de que a justiça brasileira seja como a nossa e tudo caia no esquecimento ou, melhor ainda, prescreva. Mas o Miguel Sousa Tavares já lhe deu uns caldos em horário nobre na SIC. O Cavaco começa a mostrar sinais de Alzheimer nos discursos, pois agora é manifestamente contra todas as posições que assumiu quando era Primeiro Ministro. O Passos Coelho desorientou-se geograficamente, ou então perdeu noção de identidade (talvez por culpa dos ministros que importou) e foi fazer discursos sobre política nacional para o Paraguai. E até o Jorge Jesus já foi promovido a analista político e especialista na crise. Bem sabemos que é catedrático mas se calhar estas águas já são muito fundas para ele. Ainda assim lá fez um comentário assertivo mas que o nosso eloquente poeta Manuel Alegre não conseguiu engolir e lá foi, enraivecido e enfadado, chamar de demagogo ao Jesus. E não posso esquecer a nossa gigante EDP. Tem lucros que rondam os 1000 milhões de euros mas recusa contribuir para ajudar o país. Claro que isso não surpreenderia ninguém se soubessem que 53% do total da factura da electricidade são...subsídios! Mas de subsídios vive o país há 30 anos...
E no meio da crise Inglaterra faz investimentos de fundo e que irão revolucionar todo o tecido socioeconómico. 1 bilião de libras em veículos militares! (anúncio de David Cameron e Philip Hammond - The Guardian 25 de outubro) Talvez se estejam a precaver para uma internacionalização do movimento "Occupy Wall Street". É que as imagens nos EUA fazem lembrar aquelas quezílias tipicamente argentinas, com os adeptos do Boca a massacrarem os meninos do bairro La Plata. Mas convenhamos que as pessoas exageram. Afinal 1% da população americana controla 40% da riqueza. Aqui na Europa há pouco mais de 150 anos, na maioria dos países, 1% controlava 100% da riqueza. Chamavam-lhes nobreza e clero. Está bem, ok, em meados do século XX nos EUA esse 1% só controlava 20%. Ou bem que têm bom olho para o negócio ou então pode ser que seja um complexo, de um país sem história e que está a tentar reclamar o seu direito sobre uns séculos de povo, nobreza e clero. Afinal já se ensina o criacionismo nas escolas americanas, em vários estados.