Uma
conversa entre um grupo de amigas abordava a questão de se a corrupção é ou não
normal. Tal tema motivou em mim uma pequena reflexão que gostaria de partilhar
com todos os que usam um pouco do seu tempo na leitura desta página.
A
corrupção é comum, historicamente e na actualidade, mas tal não deve ser a
justificação para considerar o acto como normal.
Se o bem estar social
é um dos objectivos das sociedades contemporâneas então a corrupção é um
comportamento condenado à extinção, manifestando-se hoje como uma espécie de
órgão vestigial herdado do passado.
Mas se a hierarquização
social, com o seu marcado carácter individual, é o principal objectivo da sociedade actual, então a corrupção
é um mero reflexo dessa necessidade.
No entanto, como a nossa
espécie é transformada socialmente por um impulso crítico individual, tal
significa que, no limite, todos exigimos que o bem estar social seja o objectivo,
precisamente até ao momento em que somos parte integrante das altas
hierarquias. E esse comportamento clássico das sociedades contemporâneas é
visível, quase na perfeição, nas manifestações gerais convocadas pelas grandes
frentes sindicais.
Regressando à
normalidade da corrupção, o principal problema é chamar de normal a tal vil
acto, é o problema associado à conotação atribuída à palavra normal. O perigo de adjectivar um mal
social de algo normal é a sua despenalização social, e em última instância,
penal. A aceitação como corriqueiro das acções que corroem o tecido da nossa
sociedade é um acto de longe mais catastrófico que qualquer uma das acções per si. Devemos ter o cuidado de nunca
banalizar algo apenas porque é comum. As consequências de tal atitude podem ser
desastrosas.
A corrupção é, infelizmente,
comum, mas jamais poderá ser normal.