sexta-feira, julho 13, 2012

Os perigos da normalidade


Uma conversa entre um grupo de amigas abordava a questão de se a corrupção é ou não normal. Tal tema motivou em mim uma pequena reflexão que gostaria de partilhar com todos os que usam um pouco do seu tempo na leitura desta página.
A corrupção é comum, historicamente e na actualidade, mas tal não deve ser a justificação para considerar o acto como normal.
Se o bem estar social é um dos objectivos das sociedades contemporâneas então a corrupção é um comportamento condenado à extinção, manifestando-se hoje como uma espécie de órgão vestigial herdado do passado.
Mas se a hierarquização social, com o seu marcado carácter individual, é o principal objectivo da sociedade actual, então a corrupção é um mero reflexo dessa necessidade.
No entanto, como a nossa espécie é transformada socialmente por um impulso crítico individual, tal significa que, no limite, todos exigimos que o bem estar social seja o objectivo, precisamente até ao momento em que somos parte integrante das altas hierarquias. E esse comportamento clássico das sociedades contemporâneas é visível, quase na perfeição, nas manifestações gerais convocadas pelas grandes frentes sindicais.
Regressando à normalidade da corrupção, o principal problema é chamar de normal a tal vil acto, é o problema associado à conotação atribuída à palavra normal. O perigo de adjectivar um mal social de algo normal é a sua despenalização social, e em última instância, penal. A aceitação como corriqueiro das acções que corroem o tecido da nossa sociedade é um acto de longe mais catastrófico que qualquer uma das acções per si. Devemos ter o cuidado de nunca banalizar algo apenas porque é comum. As consequências de tal atitude podem ser desastrosas.
A corrupção é, infelizmente, comum, mas jamais poderá ser normal.

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