quarta-feira, junho 29, 2005

Futuro? Pergunte-se à Srª Economia

Numa altura em que tanto se fala do aquecimento global, em que a comunicação social absorve inesgotavelmente este tema, explorando-o muitas vezes com um fraco recurso à investigação e por isso apresentando versões menos correctas e pouco fidedignas da realidade, deixam-se para trás temas muito mais desconcertantes e muitíssimo mais ameaçadores, mantendo assim o cidadão comum na ignorância e na envolvência de um manto branco que faz parecer que tudo é grave embora esteja controlado; ou seja, criando um pânico controlado das sociedades. Ao bombardearmos as casas com os telejornais cheios do síndrome do aquecimento global criamos uma postura receosa nos indivíduos. No entanto enquanto o fazemos frequentemente deixamos sempre a notícia num tom de simplicidade controlada pelos sábios da matéria e mantendo sempre uma "distância de segurança" entre uma e outra notícia, permitindo assim que esta nunca se inscreva verdadeiramente nas mentes das pessoas.

Ora sem dúvida de que o aquecimento global é uma fonte séria de preocupações. Jamais alguem no seu perfeito juízo ou moralidade o poderá negar. No entanto, ao contrário da mensagem que nos é enviada, o problema nem está controlado nem se apresenta como um risco imediato à sobrevivência do Homem. O aquecimento global é um risco à sobrevivência de várias espécies do nosso planeta porém, no que respeita à nossa espécie estas alterações apresentam-se como fortemente ameaçadoras da qualidade e das condições de vida. Ou seja, as grandes complicações geradas ( e ainda por gerar ) do aquecimento global não se mostram como uma ameaça à extinção humana mas sim como uma forte condicionante das condições de vida e da sociedade. Mas com esta nuvem branca que vai envolvendo o povo e mantendo-o preocupado com um fenómeno que é metade natural, metade culpa do Homem ( o aquecimento da Terra é um fenómeno natural relacionado com as alterações de emissividade do planeta, assim como o seu arrefecimento, por exemplo, as eras glaciares. Sabe-se hoje que este aquecimento não é só culpa do Homem mas que na realidade este está a ter apenas uma influência aceleradora e intensificadora do processo, isto é, aumentando a rapidez do aquecimento global e aumentando os patamares máximos de temperaturas a atingir durante o mesmo ), omitem-se dois fenómenos, um natural outro humano, bem mais ameaçadores e bem mais pertubadores que põem em risco a vida, tanto do Homem como de quase toda a vida na Terra. São estes a inversão do campo magnético da Terra e poluição química da sociedade pós-revolução industrial.

O campo magnético da Terra, naturalmente, sofre várias inversões no curso de vida do planeta. Ora a inversão deste campo põe em causa toda a tecnologia como a conhecemos. O magnetismo do nosso planeta influencia-o no seu todo, desde o comportamento do núcleo aos acontecimentos na superfície. Comparemos assim: as nossas tecnologias tal como todos os organismos ( e não só, tal como tudo o que existe na Terra ) são feitos mediante a nossa pressão atmosférica, a nossa gravidade, as nossas temperaturas, etc. Um carro na lua não funcionaria, para isso se construíram veículos próprios. O mesmo acontece em relação ao nosso campo magnético. A sua inversão coloca em causa todo o funcionamento das tecnologias actuais. Elas funcionam de acordo com os pressupostos do planeta. A alteração destes pode causar uma catástrofe inimaginável.

No que respeita à poluição química o caso é deveras mais preocupante. Sendo um problema conhecido a nível científico e governativo mundial, raros ou nenhuns são os esforços para solucionar o problema. Tudo em prol das leis económicas e dos lucros. Por ano são lançados para o meio ambiente 1 milhão de novos produtos químicos, dos quais estudamos e sabemos os efeitos de apenas uma pequena fracção. Isto é compreensível já que mesmo utilizando todos os recursos existentes só se poderia estudar metade. Tendo em conta a necessidade de lançar os produtos confeccionados rapidamente no mercado, o estudo sobre os novos componentes químicos criados não é sequer equacionado. Estes novos produtos estão a causar danos monstruosos e, por vezes, irreparáveis. Sendo uma grande parte originários dos herbicidas, por exemplo nos Estados Unidos 35% dos alimentos consumidos têm resíduos detectáveis de pesticidas. Quando observadas as consequências recentes ( e infelizmente também de curto prazo ) compreendemos o cataclismo que envolve o tema. Desde 1940 a produção de espermatozóides nos homens baixou de 113 milhões/ml para 66 milhões/ml em paralelo com a diminuição do volume de esperma de 3,4 ml para 2,75 ml. O número de mulheres estéreis ou com graves dificuldades de fecundação aumentou consideravelmente assim como a taxa de fetos com más formações, com graves alterações genéticas ou que nos primeiros anos de vida desenvolvem formas raras de cancros. Actualmente 1 em cada 20000 homens desenvolve cancro dos testículos, tendo triplicado assim a incidência desta doença desde 1940. O cancro da próstata é também muitíssimo mais frequente hoje, assim como os cancros do útero, da mama ou dos ovários. Se observarmos o impacto dos novos químicos e das grandes concentrações destes no mundo animal verificamos que também aí a sua incidência é impiedosa. Os jacarés do lago Apopka na Florida já não se reproduzem; as focas comuns do mar de Wadden ( parte do mar do Norte ) apresentam graves dificuldades de reprodução sendo já quase certo que esta população irá desaparecer em breve; as otárias da Califórnia estão em declínio, tendo frequentes nascimentos prematuros; enquanto as andorinhas-do-mar que nidificam perto de uma lixeira de produtos tóxicos no Massachusetts põem um número anormalmente elevado de ovos, a águia calva no estado de Washington põe ovos com uma casca tão frágil que se quebram durante a incubação. Muitas outras espécies têm a sua reprodução ameaçada devido às elevadas concentrações de produtos químicos ( novos e não só ) no meio ambiente. Desde as lontras aos morcegos suíços ou norte-americanos até aos cetáceos. Mas, sabendo-se tudo isto, porque não se tomam medidas que visem alterar este rumo apocalíptico? Um pequeno exemplo talvez nos ajude a compreender. A 10 de Julho de 1976 uma explosão numa fábrica de produtos químicos da Hoffman-Laroche em Seveso provocou a libertação de dioxina. Na sequência do acidente foi decretada uma zona A de forte poluição e uma zona B de ligeira contaminação. Na zona A teria de se proceder à total evacuação dos residentes. Ora uma parte da zona decretada A era atravessada pela auto-estrada, de grande tráfego, que liga Milão a Como. Estando na zona A esta auto-estrada teria de ser encerrada. Olhando ao prejuízo associado ao encerramento da via rápida os responsáveis passaram rapidamente ( sem descontaminação ) a zona A da auto-estrada para zona B. Assim já era seguro para os residentes locais permanecerem em casa. Um ano mais tarde foi, por exigência do dono da propriedade, descontaminado todo o terreno de uma casa que se encontrava nesta milagrosa zona B que era afinal uma zona A. Apenas 3 anos passados e a Giselle Colombo, filha deste desafortunado proprietário, então com 5 anos de idade, começou a revelar sinais de doença hepática crónica. Ao ser afastada a hipótese de origem viral pelos médicos, estes pediram análises do solo do jardim da casa. As seis análises efectuadas confirmaram a existência de dioxina. Enquanto os responsáveis pelo acidente e pela descontaminação se mostraram surpreendidos e estupefactos a vida foi retirada a uma criança em nome da protecção da economia. Infelizmente esta não foi a única consequência do acidente. O facto de estas pessoas terem sido, enganosamente, permitidas a viver numa área contaminada provocou uma diminuição da fertilidade e uma anomalia relacionada com o sexo nos nascimentos. Até dezembro de 1984 nasceram 26 rapazes e 48 raparigas...normalmente nascem 106 rapazes para 100 raparigas...

Não pensemos porém que isto são casos de há 30 anos e que actualmente tal coisa não se passa. Pelo contrário, hoje em dia a protecção económica vale muito mais que qualquer vida. Os químicos são usados sem qualquer controlo ou estudo sobre os seus efeitos secundários. As doenças crescem, os problemas congétitos aumentam, a reprodução está em causa e com ela a perpetuação da espécie. Tudo em nome do lucro. Entramos agora numa nova guerra, uma guerra silenciosa em que nós somos as vítimas e os agressores, cujo o futuro é incerto e nunca sabemos que futura arma iremos nós usar contra nós próprios. A essência da vida ganhou um preço e esse já foi pago. A vida agora tem dono, transformou-se em submissa e deixou o seu lugar de imperadora divina. O trono pertence na sociedade moderna à economia. Façamos as vénias e ajoelhemo-nos aos seus pés.


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