segunda-feira, setembro 06, 2010

A nova caça às bruxas

O crescimento da direita no seio do continente europeu já é esperado. A última década deu até muitos sinais disso mesmo. Uns de alarme (Le Pen) outros mais sérios como Áustria ou Itália. Mas o que assistimos hoje é talvez o acto mais perverso jamais cometido pela União Europeia. A monstruosidade é tal que até o Vaticano se pronuncia revoltado com os actos e chama à acção do governo francês de novo holocausto. Afinal de contas o que aconteceu à livre circulação nos estados membros? O que é feito do espaço Schengen?

Os ciganos, de origem búlgara e romena, estão a ser expulsos de França. Ordens de Sarkozy. Que o seu mandato tem um recheio de polémicas que transborda mais que o creme de uma bola de Berlim já todos sabíamos. Mas este acto ultrapassa o polémico. Promete dar que falar. Promete criar uma ruptura na sociedade francesa. Afinal é neste país que a consciência social e política mais se manifestou e se manifesta no povo. Mas afinal o que motiva esta atrocidade social e racial? O medo e o sentimento xenófobo que todos os povos partilham no que respeita aos ciganos.

A Roménia e a Bulgária integraram a União Europeia a 1 de Janeiro de 2007 e pertencem ao espaço Schengen desde a mesma data. Como pode o governo “Sarkoziano” justificar estes actos? Legalmente, de nenhuma maneira. Mas e moralmente? Para nós, aqueles que se revoltam contra os actos de desrespeito pela vida e pela dignidade da vida, a imoralidade deste acto é inegável e injustificável. No entanto o silêncio da União Europeia transmite uma certa impunidade à crueldade francesa.

Desde a 2ª Guerra Mundial que não se via uma perseguição étnica tão grave nos países então aliados. Desde a guerra da Jugoslávia e da guerra do Kosovo que não assistíamos na Europa à perseguição de uma etnia. Onde menos se esperava, quando menos se esperava, começa uma nova caça às bruxas. Poucos se pronunciam. O Vaticano, contra o esperado, foi o primeiro a vir para a linha da frente ao chamar de novo holocausto ao horror da medida francesa. Para quando a intervenção da União Europeia? Para quando a voz de outros países? Tenho vergonha, como cidadão português, de ainda não ter ouvido nada do meu governo a repudiar a política extremista e quase hitleriana deste pequenino líder do “L’Hexagone”.

domingo, setembro 05, 2010

Biodiversidade

Acerca das novas concepções sobre a protecção da biodiversidade, encontra-se neste momento em marcha a definição de valores monetários para todo o tipo de biodiversidade (habitats, espécies, recursos naturais). Defendido através da premissa do "poluidor-pagador" este mecanismo abre portas a um comportamento perverso que classificará os ecossistemas de acordo com um valor económico e poderemos entrar num mundo onde a protecção ambiental se cifrará em vez de se incluir numa ética de vida. Uma sociedade desprovida de princípios éticos e morais é aquela que se encontra já ali, a um pequeno passo, a uma ou duas decisões de distância. Este método, embora baseado numa ideia nobre é apenas mais um passo para o abismo moral que enfrentaremos num futuro próximo.

A biodiversidade incluí, porque muitos se esquecem, o Homem. Somos parte integrante da biodiversidade do planeta Terra, evoluímos aqui e somos um ser tão natural como qualquer outro. Colocar um preço na biodiversidade significa uma de duas coisas: que mantemos a nossa visão antropocêntrica e, tal como há 500 anos atrás, nos recusamos a evoluir de acordo com novas concepções (do geocentrismo ao heliocentrismo foram muitas fogueiras) como o biocentrismo; ou que aceitamos colocar um preço em nós próprios também. Como a espécie humana já tem preço, tão bem demonstrado ao longo da história e tão bem vincado hoje em dia com guerras pelo petróleo, oleodutos e pequenas esferas de poder, parece-me lógico que toda a biodiversidade possa ser classificada monetariamente. Resta-nos a esperança de que a 1ª hipótese não vingue e a sociedade evolua para um pensamento sustentável que com o tempo retirará o valor económico ao direito à vida.

quarta-feira, julho 28, 2010

A escolha

O que realmente difere o ser humano dos restantes animais? Durante décadas a sociedade respondeu a esta pergunta com uma palavra: inteligência. Mas o século XX, em particular o último quarto do século XX veio deitar por terra esta ideia. Nunca foi a inteligência. Na realidade a inteligência é um fenómeno que se manifesta a todos os níveis da vida, incluindo no plano celular. Uma célula aprende, ajusta mecanismos e evolui. E ainda bem que assim é porque senão nunca se teriam juntado umas quantas células para nos criar, a nós, ao ser humano. Nenhum ser vivo é mais do que um grupo de células com diferentes especializações e em constante evolução. A inteligência está por todo o lado, por toda a vida que conhecemos.
Houve então um grupo, um punhado de pessoas que, agarrado à ideia da inteligência a tentou proteger, defendendo que era a nossa capacidade de inteligência abstracta. Porque nós temos as matemáticas, as físicas e as religiões. Nunca se disse que um rato era igualmente capaz de processar pensamento como o ser humano. Apenas não está no factor inteligência a diferença. Vários animais têm demonstrado, tanto em experiências como em acções no estado selvagem, terem pensamento abstracto. Em particular as aves. Parece que o Fernão não era assim tão desajustado.
No final do século XX veio então a corrente, com muita força, de que a resposta, a chave, era cultura. Os animais não têm cultura. Só que cultura não é mais do que o conjunto de conhecimento de uma população, civilização ou sociedade que é transmitido e acumulado ao longo das gerações. Muito embora os estudiosos do assunto afirmem que só poderemos saber se os animais têm ou não cultura no dia em que pudermos perguntar-lhes e compreender a sua resposta, inúmeras situações mostram a cultura no mundo animal como algo evidente. Não só existe transmissão de conhecimento mas também este conhecimento varia com populações dentro da mesma espécies e mais ainda, existe acumulação de conhecimento e aquisição de novos conceitos. Um dos mais visíveis e que ocorre interespecificamente é o medo e o acto de evitar o ser humano. As espécies caçadas brutalmente pelo Homem adquirem medo ao ser humano e esse comportamento continua a manifestar-se durante gerações mesmo quando a caça deixa de existir. O curioso é verificar que dentro da mesma espécie o medo surge apenas nas populações caçadas, não surge em todas. Existe um conceito adquirido e transmitido de geração em geração. Outros comportamentos mostram a existência de cultura. Técnicas de caça diferentes em populações diferentes da mesma espécie, a lavagem do arroz em água do mar por algumas populações de macacos japoneses ou a estrutura familiar e social dos elefantes, com os seus mapas do terreno e a sua transmissão ao longo das gerações. Os novos conhecimentos são sempre transmitidos. Tudo isto coloca vários entraves à teoria da cultura como diferença entre o ser humano e as restantes espécies.

Mas então o que queria o Fernão contar-nos?

Escolha. A chave encontra-se na escolha. Apenas o ser humano foge à estrutura social. A diferença reside naquilo a que costumamos chamar de livre arbítrio. Todos os restantes animais vivem de acordo com uma estrutura social e nunca saem dela. Podem ser mais impetuosos, podem ser líderes, podem ser eternamente subjugados no seu sistema hierárquico mas nunca saem dele. Um lobo vive numa alcateia e se sair daquela a que pertence irá procurar ser aceite noutra ou criar uma sua com as mesmas regras. Um leopardo é sempre solitário excepto quando a fêmea cria a sua prole ou quando dois jovens machos se juntam na fase inicial da sua vida adulta. Mas termina sempre sendo um animal solitário. A formiga é o que é desde o momento que nasce. O nosso amigo Z é apenas a ficção a falar sobre a liberdade de escolha. E até não foi mal escolhido já que muitas vezes parecemos um bando de formigas que se esqueceram que podem não ser formigas, que podem ser pardais, tigres, minhocas. Podem até ser formigas com outro estilo de vida. Isto é o que nos traz Fernão. Fala-nos da liberdade de escolha, de opções, de vida. O que difere o ser humano dos restantes animais é esta escolha que ele faz. Nós nascemos no seio de uma família e de uma sociedade mas não somos forçados, genética ou socialmente, a manter-nos nela. Por isso existem tantos estilos de vida diferentes. Os estáveis que nunca abandonam o esquema em que nasceram. Os erráticos que deambulam de mochila às costas pelo mundo. Os viajantes que abraçam projectos saltitando pelo globo. Os que querem um carro. Os que querem viver num barco. Os que falam muito e os que são solitários. Nascer de uma mãe médica e um pai economista não pressupõe nenhum desses caminhos para os filhos. Nascer no interior não exige uma vida longe do mar. Ser filho de um pastor não obriga a gostar de gado. Nós escolhemos. A diferença reside aqui.

quarta-feira, março 10, 2010

Matas, florestas, água e nós

Num blog onde habitualmente escrevo sobre aspectos menos positivos do nosso mundo e da nossa sociedade achei que já era momento de colocar um post positivo, com uma mensagem agradável e reveladora de esperança num futuro mais risonho.

Enquanto se fala de desflorestação, de alterações climáticas, de poluição, de perda de biodiversidade esquecemo-nos de falar de algo muito interessante e positivo como o aumento da área florestal na Europa e na América do Norte.

Durante séculos as áreas florestais foram sendo reduzidas no velho continente devido à necessidade de madeira, de zonas de pasto para o gado e de criar mais terrenos agrícolas. O mesmo aconteceu na América do Norte nos últimos 300 anos. Juntando a isto a caça, tanto de subsistência como desportiva, ou ainda fomentada por medos populares, a biodiversidade nestes dois continentes foi sendo atacada, reduzida e confinada a nichos pequenos e isolados. Mas o século XX trouxe consigo um êxodo rural maior que qualquer outro, de proporções sem precedentes, especialmente após a 2ª Guerra Mundial. Este fenómeno social levou ao abandono das zonas rurais e com a desumanização desapareceu também a agricultura e o gado. A ausência de pessoas que promoviam o abate de árvores e a alteração da flora por espécies agrícolas a floresta deixou de estar sobre pressão e nos últimos 30 anos tem ocorrido uma autêntica reflorestação natural. No continente europeu a área de floresta cresce a um ritmo de 0,2 Mha/ano. As consequências disto são muitas. Ainda que nem todas totalmente positivas. O crescimento da área florestal promove a recuperação da biodiversidade, cria novos espaços para espécies ameaçadas e ajuda a equilibrar o ambiente. Quando aqui falo em equilibrar o ambiente não me refiro apenas a um maior equilíbrio biológico entre as espécies selvagens. O aumento das áreas florestais é importante também no combate ao aquecimento global já que estas promovem o consumo de CO2. Tudo excelentes notícias, especialmente para os amantes de vida selvagem e para os que vêem este mundo não como nosso mas como a casa de muitos seres vivos. Mas as boas notícias não acabam aqui. As áreas florestais têm outro efeito de extrema importância e que temos de observar com a maior das atenções. A floresta reduz fortemente os processos de escorrência. Ou seja, maiores áreas florestais menor risco de cheias, inundações, deslizamento de terras, etc. Outro resultado é a melhoria da qualidade da água. Os aquíferos e os rios recebem água com muito maior qualidade. A presença de floresta funciona como uma espécie de filtro que purifica a água antes de esta chegar aos reservatórios (aquíferos e barragens).

Mas há um senão. A área florestal também reduz a quantidade de água que chega aos reservatórios e, consequentemente, a quantidade de água que nos estará disponível, tanto para consumo como para fins agrícolas. Esta redução promovida por áreas florestais pode chegar aos 40% pelo que é um factor a ter em consideração.

Este problema tem sido estudado com maior atenção na Europa nos últimos 15 – 20 anos. No entanto nos EUA já se estudam estas interacções há mais de 30 anos e por lá a gestão das zonas florestais é já uma prática comum. Por cá estamos ainda a tentar perceber como devemos enfrentar esta realidade. Por um lado o crescimento florestal é algo de muito positivo mas por outro tem os seus efeitos e repercussões. Visto que a área florestal cresce a um ritmo muito superior ao da área urbana e tendo em conta as alterações nos regimes de pluviosidade na Europa, compreender desde já qual a melhor gestão a aplicar às áreas de floresta é um feito impossível. A gestão tem de englobar aspectos como a necessidade de água, a qualidade da água, fenómenos de escorrência e cheias, regime de chuvas e de seca, entre outros parâmetros mais. Para que seja criada uma gestão eficiente das matas europeias ainda existe muito que aprender mas felizmente estamos no bom caminho. Sem pressa, sem precipitações, caminhamos no sentido de compreender estes fenómenos e de poder colher deles um bom proveito para a nossa sociedade.

Não falei aqui do hemisfério sul por dois motivos: 1) apenas um país faz este tipo de gestão, a Austrália; 2) em mais de 90% da área continental do hemisfério sul o que ocorre é exactamente o oposto do que ocorre na Europa e na América do Norte, ou seja em vez de reflorestação temos desflorestação. A redução da massa florestal nos chamados países em vias de desenvolvimento prende-se com aspectos sociais, económicos e políticos. Infelizmente a maior parte da desflorestação que ocorre nestes países é para alimentar os caprichos europeus e americanos. A produção de biodiesel (uma aberração da sociedade do século XXI) é o principal impulsionador da destruição da Amazónia. O óleo de palmeira, ou óleo de palma, para a indústria cosmética (por favor não comprem cremes e perfumes que utilizem este óleo!!!) é responsável pela substituição das florestas tropicais da Indonésia, Sumatra, Bornéu e Nova Guiné por plantações de palmeira, pomares estes que são desprovidos de biodiversidade e que aumentam o risco de extinção de espécies tão emblemáticas como o Orangotango (Pongo pygmaeus), o Rinoceronte de Sumatra (Dicerorhinus sumatrensis), o Leopardo do Bornéu (Neofelis diardi) ou ainda o Gato-Vermelho-de-Bornéu (Catopuma badia). A floresta tropical do Bornéu alberga milhares de espécies únicas e cada vez que se realiza uma expedição científica à floresta são descobertas dezenas de espécies novas. Nos últimos 10 anos, ou seja, apenas no século XXI, já foram descobertas milhares de espécies novas nesta floresta tropical. Para aqueles que respeitam a vida como um todo e por si só estas razões são mais que suficientes para preservar a floresta. Para os mais antropocêntricos podemos falar em espécies novas com potencial gigantesco para a farmacologia e a medicina. Argumentos para preservar estas florestas são fáceis de arranjar. Ao contrário do aumento de 0,2 Mha/ano da área florestal europeia, a desmatação na Indonésia é de 2 Mha/ano…

Pronto não deu para ser tudo positivo mas fico um cheirinho a coisas boas no início…

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

A pequenez deste país...

Parece impossível libertarmo-nos da pequenez que assola o nosso colectivo social desde os primórdios da nossa nação. Há quem diga que não fomos sempre assim, que temos nos descobrimentos e no nascimento do nosso país independente a prova disso mesmo. Mas eu discordo. Nos descobrimentos eu vejo um povo aventureiro que procurou o lucro fácil, a curto prazo, sem quaisquer perspectivas de futuro ou crescimento. No nascimento do nosso país independente eu encontro uma disputa familiar fomentada por uns estrangeiros interesseiros e alimentada pelo velho orgulho da conquista solitária.

A pequenez que caracteriza tão bem o nosso povo e a nossa conduta colectiva parece-me cada vez mais uma profunda característica da nossa cultura. Parece mentira que algo tão mediocrizante possa ser parte integrante de uma cultura, mas o Homem consegue ter estas pequenas regalias comportamentais sem que isso extinga fisicamente uma população. Qualquer outro ser vivo sucumbiria a tamanho defeito e deixaria rápida e facilmente de ocupar o seu lugar neste mundo.

Mas o facto destas aberrações comportamentais não levarem, no ser humano, à extinção real e finita, não implica a ausência doutros tipos de extinção. A extinção cultural, cognitiva e moral são consequências directas destes aspectos comportamentais quando estes predominam no seio de uma população. Portugal já assistiu à extinção dos valores morais, caminha a passos largos para a total extinção cognitiva e por fim chegará a extinção cultural como consequência inerente das duas anteriores.

A ausência de crítica sustentada, construtiva e inteligente é, hoje em dia, o dia-a-dia do nosso país. Os jornais, os programas de opinião, os debates informativos, etc., mostram a linha de actuação de uns media mesquinhos, manipuladores e muitas vezes incompetentes, juntamente com a opinião “reflectida” de cidadãos de outros grupos profissionais. O jornalismo sensacionalista debate escutas ilegais e conversas de jantar do Primeiro Ministro mas esquece-se de falar do que realmente importa: para onde vai o dinheiro dos impostos? Onde estão os relatórios das contas públicas? Porque fecham as empresas X, Y e Z e as A, B e C continuam a funcionar? Porque é a justiça tão lenta? O que é que aconteceu na Casa Pia? Ou no caso dos sobreiros? Ou no BPN? Ou ainda no BPP?

Os media são coniventes e parte integrante de um sistema de embrutecimento social e cegueira colectiva. Insistimos em discutir o TGV em vez de nos preocuparmos com as questões do serviço nacional de saúde. Enquanto os governos vão privatizando a saúde em Portugal os jornalistas discutem se o governo deve fazer um aeroporto ou não. Enquanto os governos dizem que estamos a melhorar no ensino e apresentam subidas vertiginosas nas notas dos exames nacionais os jornalistas acenam, falam com uns alunos e nem expõem a vergonha de exames que são apresentados aos jovens. Enquanto o governo se gaba de ter apenas 11% de desemprego a classe jornalística limita-se a fazer comparações com Espanha (e, erradamente, transmitir a ideia de que os nossos vizinhos estão piores que nós). Mas ninguém se lembra de perguntar o que significa realmente estes 10%. Na realidade o nosso desemprego estará mais perto dos 15% e, se deixarmos de contar aqueles que fazem trabalhos temporários, andará nos 20%. Mas não interessa a ninguém saber que a construção em Portugal continua a violar normas de protecção ambiental e que dentro de 20 anos a costa portuguesa estará sob constante ataque erosivo devido à construção excessiva e descuidada nas arribas, nas zonas dunares e nos complexos balneares. É sem dúvida mais importante o seleccionador nacional ter dado dois murros num jornalista.

As prioridades existem e os princípios também. Simplesmente não são dignos de uma sociedade colectiva, solidária, cívica e respeitadora. Os princípios da nação portuguesa são os mesmos hoje que há 500 anos atrás. Lucro fácil, conquista imediata, mínimo esforço. Como escrevi numa outra publicação deste blogue, os portugueses amam o passado, não gostam do presente e não estão seguros de que pensar no futuro seja prático.

Não é fácil discutir determinados assuntos num mundo onde a consciência social e individual é desprovida de reflexão e conhecimento. E grande culpa têm os media! A ETA, a Al-Qaeda, o Hamas, etc., não são uns maluquinhos que põem bombas. São financiados e criados por vários governos no mundo para justificar acções governamentais e aumentar a soberania governativa sobre determinadas áreas e regiões. É tempo de falarmos das coisas como elas são. Isto não é conspiração mas sim realidade. Para quando uma reportagem sobre a realidade do Médio Oriente? Para quando outra sobre a verdade do sistema financeiro e bancário mundial? É tempo dos media deixarem de ser mais um instrumento de estupidificação de massas e conivente com este mundo de falsidade e passarem a ser um grupo que se orgulhe de ajudar a mudar o mundo para melhor.

Lembrando o que ocorreu entre o seleccionador nacional de futebol, Carlos Queiroz, e o jornalista Jorge Baptista, por mais que a atitude do primeiro seja condenável, ela é também compreensível. Neste país um jornalista escreve o que quer, como quer, quando quer. Nós acreditamos que liberdade de expressão significa poder dizer o que nos passar pela cabeça. Ao final de 30 anos de democracia continuamos sem perceber que a liberdade de expressão se baseia numa coisa que em Portugal já não existe: educação. Eu posso, em conversa com um amigo insultar pessoalmente uma determinada pessoa. Não me fica bem mas posso. Já não o posso fazer se for publicamente. Ninguém tem o direito de insultar ou injuriar outro cidadão. O jornalismo por cá infelizmente é pouco mais que isso na maioria dos casos. E isto ocorre porque a justiça não funciona assim como a entidade reguladora da comunicação social. Quem leia jornais todos os dias percebe rapidamente que grande parte do que é escrito não é uma crítica construtiva mas sim ataques pessoais, sem nível, insultuosos e sem qualquer dignidade. Nos casos em que o visado protesta lá vem a já sagrada fonte anónima. Num estado democrático isto é incompreensível e por isso é de esperar que atitudes como a do Professor Carlos Queiroz sejam cada vez mais frequentes.

Para quem está pouco habituado a ler jornais eu convido a ler esta notícia, se é que se pode chamar tal coisa a isto, publicada no jornal I e escrita por um tal de João Moreira. As conclusões sobre a peça deixo a cada um vós que tirar 3min para ler tamanha falta de formação, jornalística e humana.

http://www.ionline.pt/conteudo/45664-tres-icebergues-na-direccao-do-titanic-queiroz

Este texto dava pano para mangas como se costuma dizer mas isto é um blogue e não um livro…

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Pequeninos pensamentos pouco úteis...

O que melhor define os portugueses?

Amam o passado, não gostam do presente e não estão seguros de que pensar no futuro seja prático.

A incompetência profissional:

O problema da incompetência não é para o incompetente mas sim para os seus subordinados.

A crise:

Uma dor de cabeça para os investidores e o suicídio para os devedores.

O que esperar de um novo governo?

Nada de substancial. É tudo uma questão de vírgulas, pontos e dicção.

Sonhos...

Pior que nunca alcançar um sonho é alcançá-lo e perceber que não estamos à altura...