quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Africa Unite

África começa a mostrar ao mundo movimentos ideológicos que se iniciaram há já algumas décadas. Do slogan Africa Unite à constante enunciação "os africanos", que rapidamente se transferiu para aquele continente, a cultura africana começou a gerar-se num contexto de união. A divisão idealizada pelas potências ocidentais, que visava a separação de tribos aliadas e a junção de tribos rivais, dentro da nossa concepção de nacionalidade, com o propósito único de gerar cisões profundas dentro dos "novos países" para melhor se poderem explorar as intermináveis riquezas africanas parece ter culminado no efeito inverso. Como diz o povo, virou-se o feitiço contra o feiticeiro.
Após décadas de guerras civis, África foi recriando a sua cultura e o movimento dos povos africanos começou a expandir-se. Hoje África começa a mostrar ao mundo as revoluções culturais que nela brotam e vão brotar. A África árabe, que muitos pensavam estagnada no curso do tempo e da cultura, rebenta com movimentos cívicos que anseiam pela mudança. Talvez nos tenhamos esquecido que aqueles povos supostamente estagnados eram, no tempo das Cruzadas, bem mais desenvolvidos que a sociedade europeia. Na África subsariana, países como Moçambique, Angola, África do Sul, Namíbia ou Tanzânia adquirem a sua identidade própria e fazem crescer o seu povo na formação profissional. Uns mais lentos, outros mais rápidos, mas todos aproveitando a mão ocidental (e oriental agora também) que se estende para tirar e não se dá com do que vai deixando. A cultura de união africana é cada vez mais uma realidade, absorvida de um enorme potencial para mudar o curso da História e trazer o continente do rei da selva para o topo da civilização mundial. Nunca nenhuma sociedade se mostrou capaz da eternidade. Nem nunca tal existirá. Mas os ciclos de poder e cultura existem e África está no caminho certo para responder da melhor forma ao chamamento.
O ocidente poderá procurar usar estes eventos a seu favor, buscando formas de incutir a sua sociedade no pequeno buraco que se abre durante as revoluções. Mas a mentalidade africana poderá impedir tal façanha. As mudanças não acontecerão amanhã. Mas estão agora, por fim, a começar.

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