segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Pequenas e Curtas Reflexões

Os jovens de hoje

A realidade da precariedade é transversal no palco mundial. No entanto é em Portugal que se manifestam as minhas preocupações e receios. São vários os nomes atribuídos à nossa geração. Geração à rasca, geração canguru, geração lixada. Durante muitos anos deveríamos ter dito também geração comodista, geração inerte ou geração incapaz. Mas as condições actuais para os jovens portugueses começam a gerar um sentimento de revolta, por muitos anos apaziguado com a emigração. O problema é que já nem emigrando os problemas se resolvem. E o país continua de olhos fechados, na sua gestão danosa, repleto dos seus agiotas que parecem míopes, limitando as suas acções ao futuro imediato. O problema de Portugal excede as condições da juventude. É um problema estrutural enraizado desde a nascença da nossa nação. Mas, caminhando para 1000 anos de história, talvez seja o momento de abrir as portas da consciência social e mostrar um povo mais interventivo.
Mas a tarefa não será de todo fácil. Os jovens de hoje representam a juventude mais instruída de sempre da nossa história, mas que instrução revelam eles? Muitos são os licenciados e até mestres que não sabem escrever português. Incontáveis os que têm papéis que lhes atribuem o 12º ano das novas oportunidades mas que não só não aprenderam nada como a única oportunidade que têm com estes papéis é tirar um curso superior e juntar-se aos outros milhares de analfabetos instruídos. A consciência social é uma névoa nas mentes jovens e o sentido crítico uma espécie de conceito abstracto de que já se ouviu falar. Estamos cheios de instrução estatística mas vazios de instrução profissional e humana.

As manifs e o futuro

Natália Faria escreveu um artigo no Público intitulado «Uma "manif" de rua para mostrar que "o país é que está a ser parvo"». Tudo o que este artigo mostra são dois jovens, João Labrincha e Raquel Freire, à procura do seu momento de mediatismo que seguramente lhes poderá abrir as portas do jogo dos favores português. Promovem a iniciativa da primeira manifestação apartidária e laica que deverá ocorrer no dia 12 de Março na Avenida da Liberdade. Mas aquilo que defendem, afirmado pelo jovem jornalista João Pacheco que se juntou à iniciativa, é a mudança pelo voto e através de movimentos democráticos. João Pacheco compara mesmo a iniciativa ao que acontece no Egipto e na Tunísia. Parece-me uma comparação infeliz, para não ser demasiado agressivo nos adjectivos. O que ocorre no norte de África em nada se assemelha a esta iniciativa, que mais não seja porque em primeiro lugar o que este movimento pretende não é mudar nada, apenas dizer que não gostamos. E será coincidência que esta iniciativa seja no mesmo dia da manifestação convocada pela FENPROF?
Este país parece um zoo onde se juntaram orangotangos e gorilas na mesma jaula e como eles não se entendem a solução é trocar os orangotangos e os gorilas por uns novos. Mas isso não resolve. Nenhum jogo se altera só por mudança de peões. É necessário alterar as regras de jogo.

O sindicalismo profissional

Portugal tem um sem número de licenciaturas e estou surpreendido por ainda não ter surgido uma licenciatura em sindicalismo. Afinal o que não falta neste país são sindicalistas profissionais!!! Mário Nogueira é líder da FENPROF há quase 4 anos (Abril de 2007), sucedendo a Paulo Sucena que esteve 13 anos à frente do sindicato. No entanto não sabe o que é uma sala de aula há 20 anos, sendo sindicalista desde então. Na UGT surge João Proença como líder desde 1995. Este líder apresenta um conjunto de situações curiosas. Fundou o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) em 1979 sendo eleito líder em 1980, onde permaneceu até 2003, tendo acumulado durante 8 anos o cargo de Secretário Geral de dois sindicatos! Não poderei ainda deixar de referir que é membro da Comissão Nacional bem como da Comissão Politica do Partido Socialista pois parece-me que no mínimo gera um clima de possível parcialidade nas suas decisões. A CGTP tem em Manuel Carvalho da Silva o seu líder desde 1986, tendo sido eleito para um novo mandato que termina em 2012. Os sindicatos aqui abordados são as grandes frentes sindicais que englobam um sem número de sindicatos. Mas estas 3 figuras parecem os Mubarak, Ben Ali ou Kadhafi das terras lusitanas. Não sendo chefes de estado têm cargos de elevada importância nacional há demasiado tempo. A Era do sindicalismo profissional!

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