O Ministro das Finanças vai falando sobre a 6ª
avaliação da troika. E vão 6...6 avaliações de técnicos ultra especializados em
empréstimos a nações. E a mim apenas me ocorre uma pergunta: para quando um
jornalista sério, capaz, competente, crítico, que faça uma simples pergunta ao
nosso carrasco troikiano, perguntar-lhe se ele realmente defende o que diz ou
se é apenas um papel que desempenha.
Seguramente existiram na história verdugos que não
defendiam a pena de morte, mas simplesmente tinham de executar o seu trabalho.
Pergunto eu, ou perguntaria eu ao senhor Ministro das Finanças, se pudesse, se
ele defende os ideais neoliberais ou se é apenas um executor das ordens de
superiores?
No fundo aquilo que questiono é se de uma vez por
todas vamos ter gente na política, não só com ideais mas com a frontalidade de
os assumir, ou se manteremos este rumo que domina a história da democracia portuguesa,
de gente que, com ou sem ideais, insiste em não se assumir como alguma coisa.
Correndo o risco de dizer algo muito polémico, não
tenho medo em assumir que respeito os partidos neonazis. Não porque esteja com
eles de acordo, não porque me reveja em qualquer ponto que defendem ou por que
lutam. Respeito-os porque se assumem no seu pleno. Respeito-os porque não se
mostram como vermelho para depois serem azul. Repugno-os mas respeito-os. Como
é possível respeitar os restantes?
O nosso governo fala em Estado Social, mas cada
medida que toma é para o aniquilar. O nosso governo fala de justiça, mas mantém
Portugal com o seu sistema judicial que hoje já roça o patético. Semanalmente
falam em transparência, mas a corrupção alastra-se como um tumor maligno, tanto
no sector público como no privado, sendo frequentemente fruto de uma
promiscuidade entre ambos. Ouvimo-los usar palavras como educação e saúde,
associadas a palavras como direito e povo, mas cada medida visa privatizar cada
vez mais dois sectores que são direitos fundamentais de qualquer ser humano.
Usam, com demasiada frequência, os termos (des)emprego, crescimento económico
ou ainda carga fiscal, mas cada medida serve apenas para agravar a situação de
cada um daqueles indicadores socioeconómicos.
O governo não vive sozinho nesta bipolaridade
crónica. Não. Vive o governo e a oposição. Vive este governo e os que o
antecederam. Vive esta oposição e as que estão para trás.
Por isso pergunto: para quando um discurso
coerente com os ideais? Se o nosso governo não defende o neoliberalismo
económico então ou se demite porque não é capaz de representar um governo
soberano (ou de recuperar a soberania de Portugal) ou insurge-se começa a
governar de acordo com os valores que defende. Se o nosso governo acredita nos
ideais do neoliberalismo então que se assuma. Por mais que a maioria das
pessoas nunca os venha a defender estou seguro de que seriam muito mais
respeitados. E à oposição dir-se-á o mesmo. Que assuma os seus ideais, mesmo
que sejam os do tacho, ou os da fanfarronice, ou ainda os do sou do contra
mas não tenho nada para contrapor. Já é hora de termos gente convicta na
nossa política. Afinal é o mínimo que podem fazer já que nós até nos estamos a
portar bem, enquanto nos fodem a vida!
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