sábado, setembro 15, 2012

Qual é afinal a agenda política?


A caminho de mais uma manifestação de descontentamento não posso deixar de reflectir sobre estas manifs, o seu impacto e a servidão do povo. Bem sei que medidas drásticas são escassas na história de Portugal, mas deveríamos ter uma melhor noção do que significa uma sociedade democrática. Democracia não tem nada a ver com liberdade de expressão, como tanto se diz por aí. Democracia significa poder no povo. E a verdade é que nós, e não só, é um mal global, mais ou menos vincado no tecido social, dependendo dos países, não compreendemos esse conceito. As acções de qualquer governo só existem com a conivência do povo e é por isso que todos somos igualmente culpados da corrupção, da implementação do sistema financeiro actual e da subversão dos poderes, sendo hoje o poder político subjugado ao poder económico.
E é neste contexto económico, político e social que chegámos à manifestação de 15 de Setembro. Uma manifestação que já estava marcada antes do anúncio de Pedro Passos Coelho sobre a TSU e que apenas ganhou ainda mais força com as palavras do PM. Mas não deixa de ser no mínimo muito estranho que o PM tenha anunciado tais medidas naquele momento. Pois mais que Passos Coelho seja um político com um baixo nível de cultura, por mais que seja um indivíduo que nunca andou no mercado de trabalho, e por mais ainda que seja um fraco orador, não é seguramente possuidor de uma incapacidade intelectual. É uma pessoa no pleno das suas funções cognitivas. E o facto de o ser deixa uma pergunta no ar. Qual é a agenda política e económica escondida nos bastidores para que o PM tenha anunciado ao país o seu suicídio enquanto governante? Passos sabia perfeitamente que o seu anúncio ia gerar total descontentamento de todos os sectores da sociedade portuguesa. Sabia que vinha uma manifestação daí a uma semana. Porque fez este anúncio? Podia tê-lo feito pouco antes da votação do Orçamento de Estado. Ou depois da manif. Mas não. Anunciou uma medida cujo o resultado seria apenas e só o que ocorreu: criação de instabilidade política e isolamento do governo. E como se não bastasse, na entrevista concedida à RTP1 na passada 5ª feira, o PM agravou ainda mais a sua situação enquanto chefe de governo, colocou o país à beira de um colapso administrativo e lançou o cenário para a possibilidade de novas eleições.
Pergunto-me qual a agenda escondida. Será que o objectivo é lançar a desgraça para depois voltar atrás e justificar medidas, não tão desastrosas, mas muito piores que as até aqui implementadas? Pode ser. Mas parece-me pouco provável. É que depois desta última semana o governo PSD-CDS está na corda bamba, condenado a, na melhor das hipóteses, governar por mais 6 meses. Assim que se a agenda era essa foi mal planeado e trata-se de um erro político grave. Se a agenda é outra mais obscura, talvez então o objectivo fosse exactamente gerar o caos político e social. Mas desses bastidores nunca saberemos a verdadeira história.

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