Há 2 anos, no
final de 2010, disse várias vezes que me parecia que o final deste contexto de
crise social e económica global seria uma 3ª Guerra Mundial. Várias vezes me
consideraram exagerado. Mas será que a minha ideia estava assim tão longe de se
tornar realidade?
A Europa vive
uma crise social, política e económica que cada vez mais se assemelha à dos
anos 30. Com excepção da Alemanha, todos os países europeus, de Portugal à
Rússia, vivem momentos delicados. As manifestações, os conflitos de rua
intensificam-se. Os governos em situação precária e com fraco suporte político
aumentam. Grécia, Portugal, Itália, Irlanda, Hungria, são talvez os exemplos
mais badalados. Mas em França, Holanda e Bélgica o cenário não está muito
melhor. Uma Europa em crise social é fundamental para o desenrolar de um
conflito armado no mundo.
As tensões no
mundo Árabe têm aumentado desde a famosa Primavera Árabe. A crise social e
económica alastra-se pelos países islâmicos do Norte de África e do Médio
Oriente, onde a Síria, o Afeganistão, o Irão e o Egipto são os líderes de audiência,
seguidos pela Líbia, Líbano, Iraque e o inevitável Israel. Recentemente a
agenda político-financeira jogou uma nova carta - o filme que lançou o terror
religioso nas comunidades muçulmanas. Não podemos ser ingénuos ou hipócritas ao
ponto de achar que este filme é fruto de um realizador pateta e que, por
milagre, foi lançado no mundo inteiro. As consequências desta produção
cinematográfica eram demasiado previsíveis. Não estou a defender a reacção
violenta a que se tem assistido. Apenas digo que era óbvio que tal ia
acontecer.
Esta semana um
novo foco de tensão começou a nascer, entre a China e o Japão. Esta tensão,
caso cresça, pode ser o gatilho final. As tensões entre estes dois países foram
sempre acompanhadas de cenários bélicos. O conflito entre estas nações é
secular.
Juntando-se a
isto está o forte ataque ao Petrodólar que já levou à queda do regime de Kadhafi
na Líbia e de Saddam no Iraque, ao despoletar dos conflitos internos na Síria, e
às campanhas anti Irão, Venezuela, Argentina e Equador.
Toda e
qualquer guerra tem motivação económica. A diferença entre as guerras do
passado e as actuais é que a motivação económica estava sempre associada aos
interesses das nações. No século XX isso começou a mudar. As guerras do último
século foram marcadas por fortes interesses privados, fruto da força da
economia do sector privado, em muitos casos, credora do sector público. Com a
inversão dos poderes nos últimos 40 anos, o sector privado passou a ditar as
regras do jogo. A política foi subjugada pela economia. Hoje é o interesse
privado que define a orientação política, interna e externa, de cada nação das
sociedades de economia capitalista. O capital dita o interesse na geração de
conflitos armados.
A importância
da Europa instável é realmente fundamental. Não porque a Europa venha ser,
novamente, o principal palco da guerra. Muito embora nos esqueçamos
frequentemente que na 2ª Guerra Mundial o Norte de África, a China, o Japão e o
Pacífico foram igualmente palcos de guerra. Mas a Europa estável limita
fortemente a existência de um conflito global. Aliás a estabilidade europeia
tem limitado fortemente vários conflitos no Médio Oriente, provocando alguma
contenção nos governos Norte Americano e Israelita.
Será assim tão
despropositado colocar o cenário de guerra como fim último da crise social,
política e económica que se tem gerado no mundo? A crise económica não é
acidental. Foi preparada e executada. Faz parte de uma agenda de aumento de
controlo por parte do sector privado. Qual será o passo final?
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