segunda-feira, setembro 17, 2012

Um novo conflito global?


Há 2 anos, no final de 2010, disse várias vezes que me parecia que o final deste contexto de crise social e económica global seria uma 3ª Guerra Mundial. Várias vezes me consideraram exagerado. Mas será que a minha ideia estava assim tão longe de se tornar realidade?
A Europa vive uma crise social, política e económica que cada vez mais se assemelha à dos anos 30. Com excepção da Alemanha, todos os países europeus, de Portugal à Rússia, vivem momentos delicados. As manifestações, os conflitos de rua intensificam-se. Os governos em situação precária e com fraco suporte político aumentam. Grécia, Portugal, Itália, Irlanda, Hungria, são talvez os exemplos mais badalados. Mas em França, Holanda e Bélgica o cenário não está muito melhor. Uma Europa em crise social é fundamental para o desenrolar de um conflito armado no mundo.
As tensões no mundo Árabe têm aumentado desde a famosa Primavera Árabe. A crise social e económica alastra-se pelos países islâmicos do Norte de África e do Médio Oriente, onde a Síria, o Afeganistão, o Irão e o Egipto são os líderes de audiência, seguidos pela Líbia, Líbano, Iraque e o inevitável Israel. Recentemente a agenda político-financeira jogou uma nova carta - o filme que lançou o terror religioso nas comunidades muçulmanas. Não podemos ser ingénuos ou hipócritas ao ponto de achar que este filme é fruto de um realizador pateta e que, por milagre, foi lançado no mundo inteiro. As consequências desta produção cinematográfica eram demasiado previsíveis. Não estou a defender a reacção violenta a que se tem assistido. Apenas digo que era óbvio que tal ia acontecer.
Esta semana um novo foco de tensão começou a nascer, entre a China e o Japão. Esta tensão, caso cresça, pode ser o gatilho final. As tensões entre estes dois países foram sempre acompanhadas de cenários bélicos. O conflito entre estas nações é secular.
Juntando-se a isto está o forte ataque ao Petrodólar que já levou à queda do regime de Kadhafi na Líbia e de Saddam no Iraque, ao despoletar dos conflitos internos na Síria, e às campanhas anti Irão, Venezuela, Argentina e Equador.
Toda e qualquer guerra tem motivação económica. A diferença entre as guerras do passado e as actuais é que a motivação económica estava sempre associada aos interesses das nações. No século XX isso começou a mudar. As guerras do último século foram marcadas por fortes interesses privados, fruto da força da economia do sector privado, em muitos casos, credora do sector público. Com a inversão dos poderes nos últimos 40 anos, o sector privado passou a ditar as regras do jogo. A política foi subjugada pela economia. Hoje é o interesse privado que define a orientação política, interna e externa, de cada nação das sociedades de economia capitalista. O capital dita o interesse na geração de conflitos armados.
A importância da Europa instável é realmente fundamental. Não porque a Europa venha ser, novamente, o principal palco da guerra. Muito embora nos esqueçamos frequentemente que na 2ª Guerra Mundial o Norte de África, a China, o Japão e o Pacífico foram igualmente palcos de guerra. Mas a Europa estável limita fortemente a existência de um conflito global. Aliás a estabilidade europeia tem limitado fortemente vários conflitos no Médio Oriente, provocando alguma contenção nos governos Norte Americano e Israelita.
Será assim tão despropositado colocar o cenário de guerra como fim último da crise social, política e económica que se tem gerado no mundo? A crise económica não é acidental. Foi preparada e executada. Faz parte de uma agenda de aumento de controlo por parte do sector privado. Qual será o passo final?

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