As medidas redobram-se e
nós continuamos calados. As austeridades intensificam-se e nós limitamo-nos ao
sofá. Talvez Vítor Gaspar tenha razão e nós estejamos realmente
"resignados" e "disponíveis " para sacrifícios.
O discurso político
tem-se apresentado com duas linhas distintas nos últimos 2 a 3 anos. Por um
lado o discurso dos governos, que inicia os anos com medidas duras, enche de
promessas de fim do ciclo das dificuldades a meio do ano, e por fim, à entrada
do último trimestre, informa que afinal é preciso mais do povo. É preciso mais
sacrifício do povo...o discurso feito num tom ditatorial, particularmente
porque está implícito nele que o povo, os portugueses, não são governo e o
governo não faz parte dos portugueses. O distanciamento dos diferentes oradores
é marcado, e cada vez mais marcado. Ontem foi bem visível essa característica
governativa na entrevista do Ministro das Finanças na SIC. Mas não só nos
discursos se vê que falamos de pessoas de outro qualquer mundo. As medidas de
austeridade para o "resignado" povo, não se reflectem na classe
política e financeira. Vivemos, actualmente, num regime democrático de
ideologia fascista. Um nome novo no reino da política e governação, talvez, por
hipótese, Democracia da Banca.
A outra linha de
discurso é mais assertiva e é feita, em particular, pela voz do presidente da
Comissão Europeia (que já percebemos pelo parágrafo anterior, não é português,
é dos tais outros que não são o povo). Mas neste discurso é onde realmente se
está preparando a cama. O discurso da federação. Pela voz do senhor presidente,
e não só, está a preparar-se o passo da Europa Federal. O que, num mundo regido
por princípios morais e éticos, de respeito e solidariedade, baseado no direito
à vida, seria uma ideia muito interessante. Mas nesse mundo provavelmente todo
o globo seria um país só. Como, neste caso, O Mundo das Maravilhas não existe,
nem está perto de existir, a ideia de Europa Federal é tenebrosa. Bem sei que
somos uns incapazes na governação do nosso país, mas perder a soberania, num
mundo com as regras do nosso, é um risco que não devemos permitir-nos!
Longe de algum dia ter
defendido a independência da Catalunha, pois sempre me pareceu patético, ou do
País Basco, onde a ETA nunca mereceu qualquer respeito, ou ainda da Irlanda do
Norte, onde a guerra não gerou nada de bom, longe de tudo isto, vejo-me forçado
a estar ao lado da manifestação catalã, pois parecem ser, repito a palavra
parecem, dos poucos cientes do futuro repressivo que nos espera. A única
solução neste momento é romper com a UE, aceitar as dificuldades que isso traz,
despojar a classe política e financeira de todos os seus bens e condená-los ao
exílio, e apenas depois, procurar criar um país, acima de tudo, criar uma
comunidade, um conceito há muito perdido e que é fundamental para evitar
cenários como o actual.
Não sei se alguma vez
fui tão radical em algum texto. Penso que não. Mas depois da entrevista de
ontem de Vítor Gaspar na SIC tornou-se quase impossível manter a calma. É
curioso como um sujeito cujo discurso é monocórdico, numa voz grave e num ritmo
de embalar consegue despertar instintos quase assassinos num ouvinte. De
qualquer modo ressalvo a minha radicalidade para com a classe política deixando
claro que apenas todos os que são ministros e ex-ministros devem ser despojados
dos seu bens. Os restantes membros da classe política são expulsos da política
e os seus bens escrutinados, para avaliar a sua legitimidade. Quando à Banca,
duvido que com regras sérias e justas se mantenham por cá.
Espero que os
portugueses (portanto todos nós menos a Banca e o Governo, pois esses têm outra
nacionalidade qualquer), e que todos os europeus, saiam deste estado de letargia
profunda e se apoderem da liberdade que, nalguns países, foi conquistada com o
suor e sangue de muitos há bem pouco tempo. Acho que chegou a hora de
entregarmos um pouco mais de suor e sangue. Mas vamos aprender com o passado e
lembrar que, depois de feita a revolução, é necessário continuar a entregar
suor todos os dias, durante muito tempo. A revolução só se autossustenta por
meio da educação e essa...demora muito a ficar enraizada.
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