quarta-feira, setembro 12, 2012

Desperta o radicalismo em cada um de nós?


As medidas redobram-se e nós continuamos calados. As austeridades intensificam-se e nós limitamo-nos ao sofá. Talvez Vítor Gaspar tenha razão e nós estejamos realmente "resignados" e "disponíveis " para sacrifícios.
O discurso político tem-se apresentado com duas linhas distintas nos últimos 2 a 3 anos. Por um lado o discurso dos governos, que inicia os anos com medidas duras, enche de promessas de fim do ciclo das dificuldades a meio do ano, e por fim, à entrada do último trimestre, informa que afinal é preciso mais do povo. É preciso mais sacrifício do povo...o discurso feito num tom ditatorial, particularmente porque está implícito nele que o povo, os portugueses, não são governo e o governo não faz parte dos portugueses. O distanciamento dos diferentes oradores é marcado, e cada vez mais marcado. Ontem foi bem visível essa característica governativa na entrevista do Ministro das Finanças na SIC. Mas não só nos discursos se vê que falamos de pessoas de outro qualquer mundo. As medidas de austeridade para o "resignado" povo, não se reflectem na classe política e financeira. Vivemos, actualmente, num regime democrático de ideologia fascista. Um nome novo no reino da política e governação, talvez, por hipótese, Democracia da Banca.
A outra linha de discurso é mais assertiva e é feita, em particular, pela voz do presidente da Comissão Europeia (que já percebemos pelo parágrafo anterior, não é português, é dos tais outros que não são o povo). Mas neste discurso é onde realmente se está preparando a cama. O discurso da federação. Pela voz do senhor presidente, e não só, está a preparar-se o passo da Europa Federal. O que, num mundo regido por princípios morais e éticos, de respeito e solidariedade, baseado no direito à vida, seria uma ideia muito interessante. Mas nesse mundo provavelmente todo o globo seria um país só. Como, neste caso, O Mundo das Maravilhas não existe, nem está perto de existir, a ideia de Europa Federal é tenebrosa. Bem sei que somos uns incapazes na governação do nosso país, mas perder a soberania, num mundo com as regras do nosso, é um risco que não devemos permitir-nos!
Longe de algum dia ter defendido a independência da Catalunha, pois sempre me pareceu patético, ou do País Basco, onde a ETA nunca mereceu qualquer respeito, ou ainda da Irlanda do Norte, onde a guerra não gerou nada de bom, longe de tudo isto, vejo-me forçado a estar ao lado da manifestação catalã, pois parecem ser, repito a palavra parecem, dos poucos cientes do futuro repressivo que nos espera. A única solução neste momento é romper com a UE, aceitar as dificuldades que isso traz, despojar a classe política e financeira de todos os seus bens e condená-los ao exílio, e apenas depois, procurar criar um país, acima de tudo, criar uma comunidade, um conceito há muito perdido e que é fundamental para evitar cenários como o actual.
Não sei se alguma vez fui tão radical em algum texto. Penso que não. Mas depois da entrevista de ontem de Vítor Gaspar na SIC tornou-se quase impossível manter a calma. É curioso como um sujeito cujo discurso é monocórdico, numa voz grave e num ritmo de embalar consegue despertar instintos quase assassinos num ouvinte. De qualquer modo ressalvo a minha radicalidade para com a classe política deixando claro que apenas todos os que são ministros e ex-ministros devem ser despojados dos seu bens. Os restantes membros da classe política são expulsos da política e os seus bens escrutinados, para avaliar a sua legitimidade. Quando à Banca, duvido que com regras sérias e justas se mantenham por cá.
Espero que os portugueses (portanto todos nós menos a Banca e o Governo, pois esses têm outra nacionalidade qualquer), e que todos os europeus, saiam deste estado de letargia profunda e se apoderem da liberdade que, nalguns países, foi conquistada com o suor e sangue de muitos há bem pouco tempo. Acho que chegou a hora de entregarmos um pouco mais de suor e sangue. Mas vamos aprender com o passado e lembrar que, depois de feita a revolução, é necessário continuar a entregar suor todos os dias, durante muito tempo. A revolução só se autossustenta por meio da educação e essa...demora muito a ficar enraizada.

Sem comentários: